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quinta-feira, 7 de abril de 2011

A importância da LIBRAS para a inclusão educacional do surdo.


Muito se têm discutido acerca de educação inclusiva. Vivemos em um país com grande extensão territorial e biodiversidade étnica. Temos tido alguns problemas ao longo dos anos com a inserção de alunos deficientes em escolas “normais”. Dentre todas as deficiências vamos dissertar sobre a importância da LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) para a inclusão social do surdo. Quem pode ser considerado surdo? “Surdo é o indivíduo que tem a perda parcial ou total, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala através do ouvido.” Considerando que a audição é essencial para a aquisição da linguagem falada, acaba trazendo muitas limitações e influi no relacionamento interpessoal dos indivíduos deficientes. Essas limitações criam lacunas psicológicas e influenciam afetando a capacidade de desenvolvimento normal deixando em branco muitas experiências. Essa ausência de código lingüístico, que é o usado no contexto social dos ouvintes, pode afetar o desenvolvimento intelectual embora isso não seja uma regra totalitária. Sem dúvida a intervenção da família é imprescindível no momento do diagnóstico da surdez. Neste momento é preciso saber lidar com a nova realidade, e a família precisa fazer ajustes à nova condição física e psicológica e adequar a estrutura familiar a fim de fornecer suporte ao deficiente. Sem dúvida umas das principais competências para lidar com um surdo é a sensibilidade de compreender o que as palavras não podem expressar. Diante dos fatos mostrados acima fica evidente a importância sumária da LIBRAS e da capacitação do profissional que vai lidar com os surdos, afinal ela é a língua materna dos surdos e qualquer pessoa interessada poderá aprendê-la. Segundo a LEI Nº. 10.436, de 24 de abril de 2002 a LIBRAS é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão e outros recursos de expressão a ela associados. As Línguas de sinais não são universais, cada país possui sua própria língua de sinais. A LIBRAS tem sua origem na Língua de Sinais Francesa e como qualquer outra língua sofre as influências sócias e adquire neologismos e expressões que diferem de região para região. O surdo tem como sua primeira língua, a Língua de Sinais (LIBRAS), mas necessita de um período de maturação cognitiva para somente depois iniciar um processo de bilingüismo, ou seja, usar de Libras e da Língua Oral. No entanto, as escolas brasileiras de ensino comum ainda não estão capacitadas para receber crianças surdas, nem quanto em nível físico que engloba salas, materiais didáticos, estrutura, nem quanto em nível especifico que se refere às metodologias utilizadas, e ainda nem quanto em nível de pessoal que admite professores especializados e/ou intérpretes. Para que a inclusão social e educacional do surdo aconteça de fato, há necessidade de se montar uma infra-estrutura adequada, que atenda as diferenças, inerentes a cada ser humano, da criança surda. As autoridades governamentais precisam refletir melhor sobre o assunto, adquirirem novas práticas e nova maneira de lidar com o assunto antes de criarem impasses quanto à identidade e o processo de aprendizagem das crianças surdas no Brasil, através do que, erradamente, chamam de Inclusão, numa educação para todos que acaba por excluir visto que incluir, no contexto do surdo, não significa apenas coloca-lo numa sala de ensino comum, mas respeitar suas diferenças, atendendo todas as suas especificidades e diversidades. Trata-se, portanto de um assunto complexo e vasto, no qual deve-se pensar como um todo até porque é preciso levar em conta a realidade de cada local. Isso requer um estudo mais aprofundado da vivência do surdo, suas dificuldades quotidianas e discutir práticas e teorias partindo de uma visão sociocultural e não apenas se atendo ao audiovisual. Isso admite cada ser humano como único, afinal quando falamos de inclusão é necessário levar em conta toda a bagagem cultural e social que o indivíduo já possui quando entra na escola. Neste cenário entre as duas comunidades (Surda/Ouvinte) há, de fato, a existência de uma nova língua. Para o surdo a língua falada e para o ouvinte a linguagem dos sinais. Essa dialética precisa ser trabalhada e bem trabalhada para que gere bons frutos. Segundo Skliar (1998), "... todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de compreender o universo em seu entorno, se constroem como experiência visual". Ou seja, a língua de sinais não deve ser encarada pelo professor como um instrumento de trabalho, mas sim, como parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial e passando isso para seus alunos. Para o professor isso não é tarefa muito fácil, afinal, são mudanças radicais e rigorosas em um curto espaço de tempo e muitos deles ainda não se adequaram ao novo contexto do cenário educacional. Muito ainda se dá pelo falta de informação das diferentes concepções da educação de surdos em nosso país. A educação de surdos possui políticas diferentes e possui origens históricas distintas das do ensino regular. Desse modo, a ausência de condições eficazes para tal permanência pode levar-nos a um grande retrocesso no que tange o direito dos alunos surdos à educação em condições de total igualdade em sala de aula. Não é possível pensar em Educação sem levar em conta a questão dos Surdos, eles possuem seu direito de participação plena e efetiva nas escolas regulares e/ou especializadas. No cotidiano da sala de aula, os professores do ensino regular têm que vivenciar uma realidade bastante diferente da teoria. O que fazer com seus alunos Surdos? É se a história tivesse que ser redimensionada… Na verdade, sem dúvida, uma das maiores dificuldades encontradas é exatamente como avaliar esse aluno Surdo incluído. Ele deverá fazer provas diferenciadas? Mas se ele deve ser tratado como os demais, porque a diferenciação? Neste momento, o professor vivencia um embate psicológico complexo e nem sempre sabe lidar com tudo isso. O conceito de escola remete-nos à mediação, afinal, ela cria uma ponte entre o aluno e a sociedade. É nesse contexto que o indivíduo cria os primeiros passos de socialização com o outro e com o mundo. Portanto, mais do que se certificar da aprendizagem é necessário utilizar métodos que permitam a autonomia e a tomada de decisão do aluno. A imagem criada do pela sociedade (ouvinte) do surdo é de que ele não é capaz, que ele é inferior. Para provar sua capacidade tem a necessidade de oralizar imposição do ouvinte para o convívio, sempre o caracterizando como menos capaz. Na medida em que cada profissional atuar em sua área sem interferir na do outro, o trabalho com o ser surdo e/ou parcialmente surdo fluirá muito melhor e com certeza será possível constatar sua competência. Porém, o problema maior não é a deficiência em si, mas a desinformação, acerca da realidade dos surdos, de grande parte da sociedade gerando um pré-conceito. Com isso é claro constatar a importância da LIBRAS na vida das pessoas surdas. Ela caracteriza uma identidade surda e por meio dela é garantido a valorização e reconhecimento da cultura surda que por tanto tempo foi alvo de exclusão. Popularizando a linguagem de sinais, garante-se ao surdo a possibilidade de reconhecimento e legitimidade desta comunicação. Dessa forma, pode-se concluir que a utilização da LIBRAS deve receber cada vez mais incentivo e incentivada, não apenas nas instituições escolares, como também na sociedade como um todo, promovendo assim, a melhoria da qualidade de vida dos surdos, deixando cair por terra perspectivas meramente filantrópicas, mas sim assegurando os direitos como cidadão, descrito na Constituição e o respeito às diferenças, afinal, ser diferente é normal!



Por Ébony Mattos (@ebonymattos)

Coordenadora Pedagógica e de Comunicação CUFA Macaé.

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